Esperança e luz — Autores diversos


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Vida e amor n

   São dois corações fraternos
Que se fitam encantados,
Dizem amigos em torno
Que eles já são namorados.


   Permutam palavras lindas
Trocam pétalas douradas,
Passeiam, todas as noites,
Beijando-se nas estradas.


   Lembram fatos, contam casos
Da mais diversa expressão,
São felizes, a contento;
Anunciam-se em noivado
E combinam casamento.
O enlace foi realizado,
Segundo normas antigas,
Preces, doces e presentes,
Em meio a vozes amigas.


   Junto agora sorriem
Resguardando a luz da paz,
Pois, fazem o que desejam
Buscando o que lhes apraz.


   Findos porém, poucos meses
Chega o tempo do fastio,
Ela mostra a face triste,
Ele tem o olhar sombrio.


   Quando ele chega, ela diz:
— Abre o teu rosto fechado!
Ele fala: — Se eu tivesse refletido,
Jamais teria casado.


   E o casal vive em silêncio,
Sofrendo amarga tensão,
Ao invés de procurar
A própria conciliação.


   Trocavam palavras feias
Arrufos, queixas, conflitos,
Quanto mais corria o tempo
Mostravam-se mais aflitos.


   Queriam que o mundo fosse
Belo jardim, mas não é…
Declaravam-se quais ateus,
Entretanto resguardavam
Migalhas da própria fé.


   Surgiu momento mais triste.
Alegou ele que o chefe Elias
Pediu-lhe abnegação
De viajar por três dias.
Era assunto do seu cargo!…
A esposa lançou protesto,
Mostrando um sorriso amargo.


   Ele se ergueu e exclamou:
— Minha vida fez-se um osso,
Nisso uma serva avisou:
— Tudo pronto para o almoço.


   Logo após, ele fez-se ausente
Para cumprir o dever.
A esposa recusou a despedida,
Não sabia o que fazer.


   Depois da ausência, ei-lo de volta.
Entrou no quarto devagarinho,
No quarto notou a esposa
Vestindo um pequenininho…


   Ao vê-lo exclamou, contente:
— Nasceu nosso filho amado…
Ele abraçou-a cortês.
Em seguida, pôs-se ao lado.


   Contemplava o pequenino,
Como quem pensa e compara,
Que mostrou nos sinais dele,
A cópia da própria cara.


   Disse alegre: — Minha flor,
Ele terá meu carinho,
Agora já temos em casa,
Nosso esperado filhinho!


   Beijou a senhora em pranto,
Perdendo o jeito tristonho;
Unidos ante o recém-nato,
Fitando os mantos seus,
Abraçaram-se felizes,
Rendendo graças a Deus.


   Contei esta história longa,
Em que o amor se descerra,
Para dizer que a família
É a Bênção Maior da Terra.


   Primeiro veio a vontade
E a atração a se interpor;
Diz que acima da amizade
É que brilha a luz do amor.


Antenor Horta



(Versos recebidos em reunião pública do Grupo Espírita de Prece, em 14 de março de 1993, em Uberaba, Minas.)


[1] Essa mensagem, diferindo nas palavras marcadas foi publicada no Anuário Espírita de 1993 pelo IDE e é a 71ª lição do livro “Chico Xavier e suas mensagens no Anuário Espírita.” — Esse capítulo foi restaurado: Texto restaurado.


Texto extraído da 1ª edição desse livro.

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