Em sua sexta mensagem, que colocamos a seguir, mais familiarizado com a Vida Espiritual, Rolando sente-se à vontade, dialogando com os familiares e amigos e falando de suas novas vivências.
O próprio leitor já deve estar habituado com o seu jeito de expressar-se: franco, objetivo, não escondendo a saudade e o desejo de trabalhar intensamente no GEEM e no Nosso Lar, como fez aqui na Terra. Encarava a vida tal qual é, com naturalidade e realismo.
O modo de ser do Rolandão destaca-se no texto recebido pelo Chico, quando menciona que, após a morte, a primeira pessoa que reencontrou foi ele mesmo, o filho de Dona Irma…
REVENDO O TRABALHO
(VI Mensagem)

1 Querida Alda, o meu Senhor nos abençoe. Lembro-me de que o amigo Willo costumava contar-me que os amigos espirituais, nas reuniões a que se dedica, sempre foram e sempre são campeões de gentileza, cumprimentando os amigos um por um.
2 O modelo deve ser válido porque hoje me inclino para semelhante relacionamento, abraçando a você, ao nosso Caio, ao nosso Paulo, ao nosso Mário e estendendo as mãos agradecidas ao nosso Montoro, ao nosso Cineas, a quem visito especialmente, ao nosso Pedro, aos nossos Fred e Vânia, ao nosso Gessé e aos amigos outros que nos compartilham das alegrias da noite.
3 Sei que vocês todos estão na melhor forma, excluindo algumas bagatelas que são migalhas de luta para quem, quanto nós, se habituou com a avalanche de contratempos. Estimaria expressar-lhes a todos o reconhecimento de que me sinto possuído. Rever o nosso Montoro nesta madrugada, com o mesmo interesse por nossos assuntos e construções espirituais, me fornece motivos para muita confiança no hoje e no amanhã da nossa equipe de serviço.
4 Tenho estado no GEEM quanto posso, especialmente na condição de assessor miúdo е quase inútil de nosso Caio.
Olhem vocês que esta expressão: ‘assessor miúdo e quase imprestável’ já demonstra que caminhei nesse território quase desconhecido de meu próprio mundo íntimo.
5 Os chefes do lado avesso do trabalho, qual me reconheço agora, se fazem lacaios, para compreenderem com mais segurança as portarias e recomendações que determinavam.
Ontem, de certo modo comandava. Agora, preciso aprender obediência. Nesse sistema de revisão, venho esbarrando com muitas dificuldades criadas por mim mesmo.
6 Caro Montoro, veja lá, o que me salva é a paixão construtiva pelo trabalho. Quietação e expectativa não eram comigo. Nunca fui pessoa do palanque. Participava. E, com isso, as circunstâncias me entreteceram numa auréola de orientador, que a desencarnação violenta não me deu tempo para arrancar da cabeça.
Os dias novos chegaram, e reconheci que muitas diretrizes do Rolandão requisitavam mudança.
7 O Caio suportou, em minha companhia, os trancos a que me vi exposto, e tenho a felicidade de reconhecer que todos os nossos se entrelaçaram no serviço, imprimindo ao GEEM a feição de lar-escola e oficina que sempre desejei, sem a possibilidade das evidências, enquanto me encontrava na engrenagem dos ossos.
8 Muitos amigos esperaram que me pusesse de joelhos nas comunicações possíveis, enunciando o regresso ao que nunca pude ser, mas se enganaram com essa perspectiva.
Ressurgi mais apegado ao trabalho do que antes, e, no trabalho com o selo da sinceridade, é da Lei de Deus que ninguém desestime a ninguém.
Em meio da atividade, venho prosseguindo em meu aprendizado de servidor com o mesmo entusiasmo com que me esparramava na poltrona para observar os itens de nossos projetos.
9 Agora, tanto sigo a trajetória do Caio no escritório, anotando o curso e as possibilidades desse ou daquele livro, quanto sei doar pequena parcela de mingau a qualquer criança chorona. n
10 O caminho é este mesmo, e, se deixei o corpo, escutando o nosso Montoro a falar-me de uma viagem a Portugal, ambos não sabíamos que eu estava iniciando uma jornada muito mais importante — a viagem para o interior de mim próprio, onde a primeira pessoa que reencontrei foi o filho de Dona Irma, quando à frente dos maiores empeços que um menino é capaz de facear e vencer.
A partir dessa autoanálise, estou renovado e peço a todos os companheiros continuarmos decididos na realização a que nos propomos.
11 Alda querida, não se impressione se me desloco dos temas afetivos sempre nossos, para comentar com meus filhos e com os meus amigos a realidade de nossas lições e de nossos encargos.
12 Estamos à frente de um mundo quase desesperado.
As cúpulas do campo social da Terra, todas juntas e personificadas numa entidade única, me suscitam a ideia de um contador que dilapidou os bens que lhe foram entregues.
E agora, com a possível revisão de serviço a ser implantada pelo dono do estabelecimento, se esforça em atear fogo a todo arquivo que lhe caia sob os olhos, para que não apareça, ante o Senhor, nas amarguras do servo infiel.
Por isso, é preciso aceitar o trabalho de conscientização, exemplo, realização e divulgação que nos foi realmente determinado.
13 Estamos formando um refúgio no clima do sofrimento e do desespero, e tanto o livro iluminativo quanto o prato nutriente devem ser produzidos em nossa casa, para saciar a fome de espiritualidade e a carência de recursos que lavram por aí. Sou feliz, porque o nosso relógio não sofreu alterações.
14 Cumprimento a nossa Alda pela paciência de mãe com que zela e reúne os filhos que o Mais Alto nos confiou.
Trago ao Caio os meus votos de ampla continuidade na obra que nos pertence a todos e saúdo, em todos os companheiros e em todas as irmãs de nossa família espiritual, a vocação de servir, que desenvolvem com ímpeto cada vez mais elevado.
15 O nosso Batuíra, em minha companhia, ouvia a minha referência a relógio e me recomenda atenção para o dia que recomeça.
É preciso parar; entretanto estou parecendo a mim próprio numa bicicleta em disparada monte abaixo. Não posso frenar os meus movimentos muito à pressa. Em virtude disso, desejo agradecer-lhes — agradecer-lhes quanto me oferecem à memória e ao sentimento.
16 Querido Mário, continue; Caio precisa de um ministro para as horas extras de trabalho. Sigamos em frente. Compreendo que todos os companheiros honram a Jesus e aos seus mensageiros com o melhor que possuem.
17 De minudências de minha nova moradia muito há que falar; no entanto, por agora, quero ficar na vestimenta do menino de Dona Irma e deixar a conversa do Rolando para depois. Observem que já não estou fazendo culto intensivo ao ‘Evangelho segundo Rolando’.
O negócio não é para brincar.
18 Ouvi aqui, hoje, os oradores da noite e teço o meu aplauso a todos.
Devo explicar, porém, que, se estou aprendendo a desculpar os outros, estou igualmente aprendendo a controlar-me sem perdão para mim mesmo.
19 Sei que a psicologia materialista é uma escola de liberação grosso modo. Cada um que faça o que lhe dê na telha, mas a estrada verdadeira não é essa. Não posso largar-me à vontade, a disciplina não é símbolo morto.
20 Agora, preciso também dizer que, aprendendo a desculpar os outros, tenho tido muita dificuldade para ver irmãos e companheiros nos malandros que todos nós conhecemos. Ainda assim, o nosso Batuíra me diz que é preciso descartar um moleque da vestidura com que se apresenta, para encontrar nele o irmão e filho de Deus, a quem devemos a melhor consideração. Para mim, isso, porém, é atuação dos mestres, e estou longe disso.
Em todo caso, vou articulando os ensinamentos novos, para cumpri-los logo que isso se me faça possível.
21 Querida Alda, estou a despedir-me.
Vele por nossa Cristina, por vezes ainda insegura, e atenda à Lúcia e à Tereza nas lutas que atravessam.
Caio saudará os irmãos por mim.
O Montoro com o Valente Cineas, representando o pessoal de nossa comunidade, abraçarão por mim a todos os companheiros.
22 Alda, com um beijo especial aos netos, para não nos desligarmos do nosso iluminado jardim de amor, receba, com o Caio, com o Paulo, com o Mário e todos – todos os nossos, a confiança total e o carinho imenso do companheiro e pai, amigo e irmão sempre reconhecido.
Rolando
(26 de março de 1982)
Caio Ramacciotti
[1] Refere-se a suas visitas à creche.