O Caminho Escritura do Espiritismo Cristão
Doutrina espírita - 2ª parte.

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Rolando, uma vida de renúncia e trabalho. — Rolando Ramacciotti.


Capítulo X

ROLANDÃO E O ALMOÇO INESQUECÍVEL

Em São Bernardo do Campo, quando Chico Xavier recebeu o título de cidadão honorário, a 29 de abril de 1972, ocorreu bizarro episódio que evidencia o entusiasmo e a alegria que Rolando demonstrava com sua presença.
Passamos a manhã no GEEM, e, como de hábito, uma multidão de pessoas de todos os cantos do país ali estava para abraçar o Chico.
De modo especial, lembra-me a presença dos saudosos D. Neném Aluotto e Martins Peralva, de Belo Horizonte.
A concorrida visita terminava, e a hora do almoço chegava. Seria em minha casa.
Meu pai pedira à Thais que fizesse um almoço muito especial para o Chico, num total máximo de doze comensais.
Reiterou-lhe a importância de preparar pratos variados para que o Chico os escolhesse a seu gosto, sugerindo: lasanha, frango, carne, bacalhau a Gomes de Sá, maionese, arroz e feijão, bife à milanesa, etc, etc… O elenco de pratos faria inveja a qualquer restaurante.
No GEEM, ao chegar a hora do almoço, longa fila se formou para as despedidas. A cada conhecido que cumprimentava o Chico, o orgulhoso e alegre anfitrião dizia ao pé do ouvido, e falava tão baixo que todo mundo ouvia:
— O almoço será na casa do Caio. Acompanhe o nosso carro!!!
Eu fiquei desesperado com a surpresa provocada pelo entusiasmo do Rolandão. O almoço seria para doze pessoas no máximo, como ele programara…
Os veículos que nos seguiram pareciam participar de imensa carreata, que surpreendeu os transeuntes da cidade ao longo do percurso.
Não tỉnha como avisar a Thais; somente pude fazê-lo quando chegamos. Ela ficou lívida ao ver aquela multidão. Cerca de sessenta pessoas se comprimiam entre a pequena pérgula da entrada, a sala e o corredor, esperando o almoço…
A mesa foi servida em etapas, qual nos restaurantes com fila de espera. Muitos comeram em pé. Tínhamos apenas uma dúzia de pratos e talheres, e precisávamos lavá-los a cada rodada.
Chico, sempre sorrindo para a Thais, observava… O Rolandão feliz e a gente ali correndo para atender à inusitada situação.
Ainda hoje, quando nos lembramos do fato, não conseguimos compreender como o almoço para doze pessoas satisfez a sessenta, е ainda sobrou comida. Na verdade, não muita!
Esse modo de ser tão típico do nosso pai, com outras nuances, o leitor observará em sua sétima mensagem.




CONVERSA AMIGA

(VII Mensagem)
Tema principal

1 Querida Alda, que o meu Senhor nos abençoe a todos.
Você pode avaliar a emoção com que lhes dirijo estas letras, tentando encharcá-las de саrinho, para que me saibam presente e atuante como sempre.
No abraço a você, estão reunidos o Caio, o Plínio, o Mário Rolando, o Paulo, o Virgílio, as filhas queridas e os netos.
2 Segundo observam vocês, a minha vinculação com a família ainda é para mim uma bênção.
Todos os fatos de casa me repercutem no coração, e, se fosse o caso de se desgastar o motor do corpo espiritual, creio que estaria enquadrado nos assuntos da Cardiologia.
Mas, felizmente, estou com a melhor saúde e nas melhores disposições para acionar o malho e a bigorna do tempo, de modo a esculpir a renovação possível em meu favor.
3 Certamente que escrever pelo Chico não é novidade. Falo por nosso caro Cineas, por nosso Caio, por nosso Gessé, por nossa Lúcia e até por você própria, Alda querida, quando é preciso atingir algum assunto, para o qual a minha experiência de pai e amigo possa ser útil.
4 Atravessei alguns dias de preocupação à frente do Caio cirurgiado.
Não porque observasse algum risco para o filho e companheiro de todos os dias, mas porque a sensibilidade do Caio é de gabarito alto, e a anestesia, conforme acreditei e realmente aconteceu, o marcaria por alguns dias, criando-lhe sensações e impressões que não eram e não foram das melhores.
Agora temo-lo de pé no comando do GEEM, com uma úlcera de quebra que esperamos seja sanada sem novo ataque a bisturi.
5 É interessante, Alda, considerar que, no clima dos hábitos, continuei sendo aquele Rolandão, às vezes de arame farpado, impondo choques a quem se aproximasse.
Compreender um malandro, eu compreendo, mas desculpá-lo não posso ainda.
A vida foi feita para o trabalho correto e para o máximo aproveitamento das horas, e não entendo patifes de voz mansa e gestos brandos com a volúpia guardada, para se atirarem no próximo, como quem tosquia uma ovelha.
6 Por aqui, todos me conhecem no aspecto de minha personalidade real, mas já me entregam certos casos difíceis para liquidar.
O nosso venerável Batuíra é uma luz ambulante, no entanto o que fazem os infelizes das trevas senão fugir para a retaguarda quando a luz aparecе?
Nas sombras a que se acoitam, eles, porém, precisam encontrar quem lhes contenha os impulsos, e recebi a incumbência de colaborar nesse setor e estou satisfeito.
7 Nem você, nem os filhos e nem os amigos me imaginem de chicote nas mãos.
Isso não seria justo, nem cabível, entretanto a palavra firme e sincera consegue muito, e, por isso, além de minhas tarefas no GEEM, que continuam juntamente do Caio e do Gessé, do Mário Rolando e do Paulo, fiz a minha iniciação de companheiro da renovação.
8 Notem que não digo ‘corrigenda’, e sim ‘renovação’, porque isso demanda igualmente a transformação positiva para o bem por dentro de nós mesmos.
9 Tenho feito força em benefício das filhas, notadamente de nossa querida Cristina. Peço a ela não se entristecer diante da vida.
Eu sempre disse e continuo afirmando que todas as nossas filhas são joias de Deus, no entanto onde está na Terra a joalheria capaz de se blindar contra salteadores?
Cristina tem sofrido bastante, mas tem sabido sofrer com o trabalho e a responsabilidade nas mãos, e isso é muito importante.
10 Vejo aqui o nosso pessoal do Casimiro Cunha. n
O professor Fred e a Vânia são educadores de prateleira alta. Sabem exercer a visão espiritual sempre profunda na penetração dos problemas e são dignos das mais valiosas medalhas de condecoração.
Isso não impede o Caio de fazer algumas delimitações, para que o serviço da divulgação da luz espiritual e os encargos assistenciais não sofram qualquer alteração.
11 O nosso amigo Vladimir aí está, ao lado de nossa irmã Dona Elvira, n reajustando-lhe as forças. A nossa irmã D. Anísia n decerto aguardava qualquer comunicado de nosso Valente, entretanto ele espera chegar menos emotivo e, para isso, conta com a paciência da querida companheira.
12 Estou muito grato, vendo a nossa estimada Mary na equipe. Juro que, se eu estivesse materializado, ela e eu não teriamos dificuldade para encontrar algum pomo de discórdia, e eu sempre respeitei a inteligência dela, que significa um mapa de luz para o nosso caro Cineas. n
13 Caio, os meus parabéns a você e ao Gessé pela apresentação dos livros. A compra do papel para estoque foi e será sempre uma providência lembrada a tempo. n
Sem papel de imprensa, duvido muito que o próprio Cristo houvesse chegado com a amplitude com que se nos mostra nos Evangelhos, em nossos dias.
Estou com vocês nos assuntos do dia e compreendo que o arrocho está colocando muitas realizações pra quebrar. Felizmente, vocês estão usando a cabeça na solução desse assunto.
14 Sou muito grato à cooperação do Mário Rolando e do Paulo na casa que nos fala de modo tão alto aos corações.
É isso aí.
Serviço não falta. Houvesse intérpretes dessa música maravilhosa a que damos o поте de trabalho, e não perderíamos um só minuto nas questões pequeninas, que, às vezes, nos procuram na base da fofocagem.
15 Tenho aprendido muito e não desconsidero a ninguém. Cada obreiro tem a sua função específica na obra que pertence a Jesus e não a nós, embora possamos usufruir a felicidade de haver empurrado a máquina para diante.
16 Sei que as lutas são grandes. Entendo as que o nosso prezado Montoro carrega, e devemos ser reconhecidos ao esforço que ele sempre despendeu pelo êxito de nossos projetos na organização que os Mensageiros do Mais Alto nos confiaram.
17 O Gessé está progredindo notavelmente nas criações. Se posso, no entanto, solicitar ao companheiro um obséquio, peço a ele cuidado com o roxo. A cor violeta é um satélite sem possibilidades de domínio essencial. n
18 Seguimos muito bem, já que estamos cientes de que a luta não cessa. Será sempre necessário verificar paredes e vigas, ferragens e conexões, quando as chuvas se fizerem agentes de outros agentes, que todos conhecemos na condição de adversários da luz.
19 A Thais tem sido uma revelação, com as nossas companheiras de contato com os nossos clientes, e a nossa Alda tem demonstrado o que é saber alimentar multidões, sem recorrer a livros e receitas experimentadas.
20 Caio, formulo votos por sua saúde e por seu otimismo. Sigamos para a frente. A nossa mochila não dá para transportar qualquer nota de pessimismo.
Sei o que são os nossos orçamentos, mas a Providência Oculta nos socorrerá sempre, com os suprimentos indispensáveis.
21 Ao nosso Pedro Maniero e à estimada Dona Maria a gratidão de quem, qual me ocorre, vem aprendendo a servir.
Estimaria alongar-me, mas o pessoal está reclamando pela linguagem vibratória.
Antes que as reclamações tomem a forma verbal, é interessante que me retire em companhia da Dona Irma.
22 Querida Alda, em você abraço a todos os nossos e, mais uma vez, peço a você receber o meu carinho e a gratidão de sempre.
Um dia, o nosso Plínio fixou na escada de casa o seu nome, proclamando-a rainha de nosso lar, n e eu faço o mesmo, deixando-lhe, extensivamente à família inteira, o coração reconhecido do

Rolando

(03 de dezembro de 1983)




COMENTÁRIOS


Nessa mensagem, escrita no quarto aniversário de sua desencarnação, Rolando já fala de suas primeiras atribuições na Vida Espiritual, exatamente como se expressava por aqui. Vamos detalhar algumas de suas observações:
1) Refere-se ao então Grupo Casimiro Cunha, departamento do GEEM dirigido por Frederico Alves, hoje denominado Divulgação Braille Casimiro Cunha.
2) Vladimir, irmão da Vânia, deixou-nos muito jovem, em acidente na Rodovia Presidente Dutra. Filho de Elvira Alves Jorge e de René Jorge, falecido em 1999.
3) Mãe do Cineas. Presente à reunião de Uberaba, desejava, ansiosa, também receber a manifestação do esposo José Gomes Valente.
4) Carinhosa referência ao temperamento firme da Mary, esposa do Cineas, que veio a falecer em 1987.
5) Do Além, Rolandão aprova a política de aquisição do papel para a edição dos livros. Fazíamos então grandes estoques, pelas circunstâncias do mercado de papel, o que deixava o Chico encantado, dizendo-me, quando lhe falava de cada nova compra: — Que beleza, Caio! Precisamos contar aos outros editores a sua ideia! Chico e Rolando, entusiastas do livro espírita, não escondiam sua alegria com tudo o que lhe dizia respeito: a capa bem elaborada, o papel e a diagramação mais agradável à leitura.
6) Dá um ‘puxão de orelhas’ no Gessé, um de nossos produtores artísticos, a quem considerava filho do coração, pedindo-lhe cuidado com o uso do roxo nas capas. Gessé, ao receber o recado, deu-lhe razão. Realmente não é cor de fácil aplicação nos procedimentos gráficos.
7) Ver também observação nos comentários referentes à II Mensagem.


Caio Ramacciotti

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Texto extraído da 1ª edição desse livro.

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