Preocupado, Rolando aborda, na oitava mensagem, a febre de mudanças que observa entre os participantes do GEEM.
Com ênfase, ‘espinafra’ todo mundo que, à época da mensagem, pensava em mudar-se de São Paulo. Justifica a mudança do Cineas para Jundiaí, em função da enfermidade que lhe aсоmeteu a esposa Mary.
Mas, quanto aos filhos…
A grande realidade é que ele temia ver as Instituições prejudicadas pela ausência dos familiares e companheiros do grupo.
Sentimos hoje falta de suas memoráveis ‘broncas’, que, aliás, reconhecemos sempre justas e oportunas.
Para ele, sempre foi uma tortura a ausência dos amigos do Nosso Lar e do GEEM, mesmo que por um simples fim de semana. Reclamava, pois queria todos ao seu redor. Cineas, um de seus amigos mais próximos, era o favorito para receber as ‘duras’ do Rolandão. Conheci-o em 1963. De imediato o apresentei a meu pai, e estreitou-se entre ambos sólida amizade.
No primeiro contato de Cineas com o Chico, algum tempo depois, Rolando o apresentou ao médium-apóstolo, não lhe declinando o nome de propósito:
— Este é um novo colaborador do grupo!
Chico cumprimentou-o efusivamente е disse, sorrindo:
— Como vai, meu amigo Cineas…
MUDANÇAS POR QUÊ?
(VIII Mensagem)

1 Querida Alda, você fica sendo a primeira destinatária destas notícias, e com você abraço os nossos queridos Caio, Paulo, Mário, Tereza.
E, ainda em sua companhia, vejo, por imaginação, conosco os nossos queridos Virgílio, Lúcia, Cristina e Plínio, com todos os nossos genros e noras e o pessoal remanescente, que, no momento, já se destaca em número avultado.
2 Abraços ao nosso querido amigo Cineas, o nosso Valente Cineas, ao Fred e à Vânia, todos os que constituem a nossa caravana da amizade.
E, já que o olhar da imaginação foi invocado por mim para rever os filhos todos, estou reunindo o nosso devotado Montoro, o Gessé, o Pedro, a Maria, o Israel, o Antonio n e os outros amigos que nos cativaram os corações. Vocês vieram, em visita aos nossos companheiros aqui reunidos, naturalmente esperando que mе manifeste.
3 Não que seja “vip” neste caso, mas sim por ser o colega de todos, já que a desencarnação me proporcionou a promoção ao avesso.
De chefe tive de baixar em outro centro, sob a tutela do nosso Batuíra, e, felizmente, o сеntro a que me refiro tem o nome de Renovação. n
4 Segundo observam, não cheguei a mudar… Mudaram-me, esta é que é a verdade.
Transferido de residência por força de determinações superiores, reconheci que a роsição de soldado passara a ser minha e, tanto quanto possível, dobrei o pescoço duro de mover, a fim de aceitar a realidade.
5 O meu maior problema é que não traçara planos para me descartar do corpo, e fui apanhado de surpresa, qual se busca o peixe na rede grossa.
Esperei, lutei, aceitei o que se me fazia preciso e não me arrependo de haver cedido os pontos nesse complicado xadrez da morte, que é apenas vida oculta. Se minhas surpresas foram grandes na rebeldia fantasiada de calma, diante do imprevisto com que me retiraram do corpo, as surpresas de Batuíra e de outros amigos não foram menores.
6 Creio que, por isso, alegaram necessidade de refazimento e me situaram num instituto, onde estive por muitos dias com visitas honrosas e ensinamentos que eu, de pronto, não me dispunha a seguir.
7 Depois, é o que vocês já sabem; voltei ao GEEM, para lidar de parceria com o nosso Caio nas várias dependências de nossa Instituição.
Por ali, encontrei uma novidade. Habituado a comandar, me vi na obrigação de ceder e obedecer.
Conquanto a docilidade do Caio е о carinho dos filhos para comigo “in memoriam”, compreendi que chegara para mim uma guinada de noventa e procurei adaptar-me. Livros e empreendimentos editoriais, crianças e serviços outros me fizeram, de algum modo, esquecer o Rolandão.
8 Tenho trabalhado com alma e coração na administração de nossa casa, que se divide em várias, e agora observo, em nosso meio, uma certa nova edição de Garça. Acontece, porém, que de Garça para São Bernardo não houve êxodo, e sim uma transferência real da organização que se nos faz especialmente querida.
9 Vejo o Cineas, pensando em Jundiaí, noto o Paulo, hesitando entre as escolhas que pretende fazer, o Virgílio já estabelecido em Araraquara, e noto o próprio Caio de coração pendente, conquanto firme na resolução de velar pela obra em São Bernardo, qualquer que seja a decisão que venha a adotar.
10 Houve uma epidemia de mudanças desde que o Montoro se viu na contingência de se fixar em Araraquara, e até mesmo o nosso prezado Israel está mentalizando a saída para algum lugar, embora já consiga usufruir os ares medicamentosos do Guarujá em muitos fins de semana.
Sinceramente, eu não sei o que desejam os nossos amigos.
11 A Vânia viaja para o Exterior como quem procura um jardim е traz um espinheiro para cultivar. E fico na expectativa de saber o que trarão vocês, os ‘mutantes’, quando se dispuserem a regressar.
Dou razão a todos. Nem podia ser de outro modo.
Nossa querida Alda e eu continuamos sempre com os filhos e vamos observando as cousas como estão para ver como ficam.
12 Compreendo a luta do Caio, que foi profundamente minha.
O escritório, o pessoal com saída marcada todos os dias, os nossos prédios a nos solicitarem presença, as nossas crianças reclamando atenção e, depois, o vazio que a direção experimenta em qualquer parte em que se veja.
Caio talvez se esqueça de que arranjei uma locomotiva n de mesa para sair da solidão, diariamente, e ainda não quis ou não pôde inventar uma fuga qualquer.
13 De qualquer modo, considerando a legitimidade dos desejos do Paulo e da Lúcia, no sentido de respirarem outros ambientes, quero lembrar-lhes que, em qualquer lugar, o cachorro late sempre do mesmo jeito e que a dor de cabeça em São Bernardo é a mesma em Ribeirão Pires ou alhures.
14 A mudança de Garça foi mudança integral para o que desse e viesse, e ainda não me esqueci das viagens pelo trem noturno, quase semanalmente, para examinar a melhor maneira de transferir tudo.
E ainda me lembro do Paulo, menino, na Xavier de Toledo, ensaiando balconismo, antes de se pregar na Medicina. n
15 Assim foi o que aconteceu, e peço a todos muita ponderação em qualquer atitude.
Ninguém me espere opiniões de santo, quando estou apenas procurando encaixar-me na posição de homem fiel a si mesmo. Sou eu mesmo, com algumas poucas transformações por dentro de mim.
Serviço é o meu fraco para não dizer que é o meu forte, e fico no GEEM de qualquer maneira, até mesmo para brigar com o Pedro, um amigão, que, presentemente, guarda pancas de ciúme sem necessidade e sem razão.
16 Ao nosso querido Caio direi que ele nunca esteve e nem está só. O Mário e o Paulo me representam.
Se o Paulo optar por ausência, ainda fico detendo a metade que é o Mário e alguns quebrados, que são as cooperações fragmentárias de alguns dos nossos amigos e colaboradores.
E a obra, graças ao meu Senhor, prossegue florescente. O Caio tem conseguido um movimento sempre maior de serviço no tocante ao livro, e sabemos que o livro espírita-cristão é alimento e luz a derramar-se em bênçãos, no campo de todas as direções.
17 Que Jesus não deixe o Caio e a mim no trevo, que, na atualidade, é o substituto das antigas encruzilhadas. O serviço é nosso, e nesse ‘é nosso’ estamos todos incluídos, embora reconheça, de minha parte, que especialmente o Cineas tem agora a esposa doente, requisitando ares novos.
18 Quanto ao mais, querida Alda, você é a ‘rainha do lar’, conforme aquele aviso que о Plínio fixou na escada, em nossa antiga residência, num Dia das Mães.
Onde estiver, sou o homem que sou е aguentarei qualquer barra, no entanto as mães são dotadas de poderes maiores junto à família, e, com a nossa Tereza, que pensa em mim admirada com o lápis rodando no papel, você fará os apontamentos que se fizerem necessários.
19 Quanto ao Caio, desejo a ele muita força na fé sempre vigorosa, e, com a nossa estimada Thais, compreenderá o que digo.
Querido Caio, dirigir é sofrer com a obra em andamento.
Você, do ponto de vista de espiritualidade, estará sempre com todos e sozinho, porque com todos terá você o trabalho geral e sozinho suportará a carga das expectativas ansiosas com duplicatas à frente.
Graças a Deus, não lhe faltam cooperadores dedicados.
20 Sobre assistência material, não intensifique demasiado o seu trabalho, porque na assistência encontramos muita gente maravilhosa e grande número de irmãos em Humanidade que precisam do pão sem o til e com o meio da palavra sob acento agudo.
É triste, mas é a verdade.
Sigamos em frente, porque não desejo aplicar nenhum ácido à minha conversação.
21 A todos os companheiros presentes e ausentes o meu abraço fraterno. Aos filhos queridos a minha certeza de pai coruja, que recebeu de Deus os melhores filhos do mundo, e para a querida Alda, companheira abnegada de sempre, o coração ainda bravo, mas sincero, do seu de sempre, sempre o seu
Rolando
(09 de novembro de 1984)
COMENTÁRIOS
1) Montoro, Gessé, Pedro, Maria e Israel, já identificados em mensagens anteriores. Antonio Angeles, diretor do GEEM nos tempos do Rolando.
2) O Centro Espírita Renovação, cujas reuniões se realizam até hoje em São Paulo, é mencionado no escorço biográfico do Rolando.
3) No último capítulo do livro, Fotos e Documentos, colocamos a fotografia da locomotiva que lhe era tão cara.
4) Paulo de Tarso trabalhou, ao chegar do interior, na Casa Andrade, cujo proprietário, Itagy de Carvalho, era amigo do Chico. Mais tarde, diplomou-se em Medicina
Caio Ramacciotti