O Caminho Escritura do Espiritismo Cristão
Doutrina espírita - 2ª parte.

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Rolando, uma vida de renúncia e trabalho. — Rolando Ramacciotti.


Capítulo XII

O PAI SEMPRE PRESENTE

Na próxima mensagem, a nona, como nas demais, estão presentes os conselhos paternais e o incentivo às atividades do GEEM e do Nosso Lar.
Como descreve André Luiz em seus romances psicografados por Chico Xavier - que retratam a intensa integração entre Plano Físico e Plano Espiritual — ao desencarnarmos, não há modificações súbitas em nosso modo de ser.
Essa realidade é destacada na mensagem por Rolando, que respira as nossas dificuldades e conversa conosco do mesmo modo que o fazia quando na Terra.
E são tão adequadas as ponderações que não temos como negar sua inquestionável presença espiritual entre nós.
Vale lembrar que os velhos amigos, Roberto Montoro e Cineas Feijó Valente, estão sempre presentes em suas recordações.




NINGUÉM SE FAZ ANJO DE UM MOMENTO PARA OUTRO

(IX Mensagem)
Tema principal

1 Querida Alda, meu abraço a você e aos nossos filhos e netos.
Nesse abraço reúno especialmente o Caio, o Virgílio, a Lúcia, o Mário Rolando e a Maria Luiza, 
n com as minhas saudações ao nosso valoroso pessoal do Braille, o Professor Fred, Dona Elvira, a Vânia.
Espero não estar omitindo nomes dos presentes, porque é uma dificuldade fazer essa mágica da memória, compondo o elenco familiar com letras que mal nos transmitem os pensamentos.

2 Tenho comunicado sempre o que sinto e penso por nossa querida Lúcia, por nosso Caio, por nosso Cineas, e, embora a equipe da mediunidade, às vezes, fique balançando entre a certeza e a insegurança, vamos conversando assim mesmo. Seria ideal que os desencarnados dispusessem de meios para se livrarem da Terra, mas isso não cola. Somos quem somos…
3 Ninguém se faz anjo de um momento para outro, e a solução, depois de perder o corpo gasto, é arrastar-nos por aqui com muitas esperanças e muitos xingatórios, porque o silêncio dos bem-aventurados não chegou até nós.
4 Tenho melhorado um tanto nessa história de julgamentos apressados, mas, para mim, é muito difícil ainda lidar com Espíritos malandros, embora eles se refiram à caridade e nos chamem para uma beneficência que não nos seria lícito praticar.
5 Sou o Rolandão, apenas o Rolandão em serviço. Participo das tarefas de cozinha do GEEM, associo-me ao Mário Rolando, cuja dedicação para com os nossos serviços na pessoa do Caio muito me comove.
Estou com o Paulo, quando o Paulo resolve tomar os seus cuidados intermitentes em nossa Instituição, e ando habitualmente nos passos do Caio, que ficou, sem esperar, com a minha herança de contas e compras, de previsões e medidas, de trabalho e solidão.
6 Bem que temos aquela pequena locomotiva, n que não nos conduz a parte nenhuma, à feição de um símbolo de nossa fixação em São Bernardo.
7 Mas, não posso negar que divido o meu coração com todos os meus filhos e filhas, porque são eles as riquezas que eu trouxe para cá com os meus ideais no campo de trabalho espiritual, que presentemente, para a minha alegria, é mais amplo com os avais de nosso Batuíra.
8 Aliás, querida Alda, agradeço a você a assistência à nossa Cristina, que ainda não conseguiu retirar a cruz dos ombros.
Reporto-me à cruz das preocupações naturais da vida, tanto quanto seja dizer à Lúcia que estamos unidos na mesma jornada, agora em Araraquara. 
n
Virgílio, Lúcia e agora o Paulo acreditam que encontrarão, em Araraquara, a Morada do Sol, e formulo votos para que assim seja nessa cidade.

9 Não tenho argumentos contrários a meus filhos que se inclinaram à mudança, à vista dos processos de violência e criminalidade que infestam as cidades maiores. Há momentos em que encontro o Caio tão agitado, que chego а ouvir-lhe os pensamentos, ideando até mesmo dispor do patrimônio do GEEM para deixar São Bernardo, o que, em princípio, não aprovo, de vez que, reduzindo a assistência sem extingui-la e com a livraria em São Paulo, admito que atingiremos uma situação de equilíbrio.
10 A vida espiritual, para produzir os frutos que alimentarão a comunidade, exige, paradoxalmente, movimento e pausa, público e solidão, e não temos outro caminho senão esse para renovar-nos, fazendo o melhor de nós e de nossas oportunidades de trabalhar.
11 Caio, você não se agaste com a vida. Temos tido um privilégio que poucos talvez hajam recebido de Nosso Senhor.
Prometemos trocar todos os nossos documentos de existências passadas em livros, que reconfortem e renovem a vida comunitária, e estamos seguindo com a carga, sem atirá-la em ombros alheios.
Nesse capítulo, tudo vai bem, a não ser a necessidade de nos defendermos contra os assaltantes e aventureiros, que se tornaram praga no Brasil de hoje, e praga, por enquanto, sem inseticida capaz de combatê-la.
Muitos homens responsáveis por nossas tarefas da atualidade querem mais cadeias e a reformulação de penitenciárias, como se isso resolvesse o caso da marginalidade.

12 Não posso descambar para crítica, mas posso dizer a você que temos à nossa disposição todo um arsenal de recursos dos melhores: o nosso núcleo de produção editorial, com a Doutrina Espírita desvendando corações e iluminando caminhos.
Cada livro é uma série de projéteis endereçados à ignorância, que ainda escraviza tanta gente.

13 A fome de pão e caldos é gritante nos estômagos vazios, mas a fome do espírito é anestesiada por obsessores da Humanidade, que não pretendem se deslocar da condição indébita em que se apoiar.
Por isso é que trabalhar pela Causa do Bem e da Paz tornou-se entre nós um lema de todos os dias.
14 Os companheiros que despertam para as realidades da alma chegam a sentir os corações opressos por nossas requisições de mais serviço, e os indolentes estão progredindo no modelo das caudas dos cavalos, isto é, crescendo sempre para baixo.
O assunto se faz doloroso, porque somos poucos para lidar com tantos amigos que estimam o sono e a indiferença por padrões únicos de vivência.

15 Admirei a sua coragem, abrindo as portas de uma livraria no centro da capital paulista, e peço ao meu Senhor Jesus Cristo o proteja não somente com a bênção do trabalho constante, mas também com defesas contra os vigaristas e irmãos de mãos grandes, que vivem por aí sem quartel que os reúna.
Enfim, ouço dizerem por aqui que vem a ser um grande mérito trabalhar para o bem entre os maus e, embora sem vocação para isso, vou aderindo a esse trabalho por amor aos filhos preciosos, que Deus me deu.
Sigamos em frente para saber até onde colocaremos os pés, porque medo da estrada e deserção do trabalho não constam de nossas listas.
16 Querida Alda, posso pouco, muito pouco, mas tenho colaborado na proteção aos netos queridos. Estimo ver a persistência da Lúcia, o valor da Cristina, a dedicação da Terezinha, a abnegação de Thais, a bondade da Silze, a compreensão da Tereza, a força de vontade da Maria Luiza, que entrou para a nossa oficina, e o devotamento da Lúcia do Paulo n à vida familiar.
Veja, Alda, que as nossas filhas são várias, e todas se revestem de extremada importância para o nosso trabalho. Somos ricos de esperança e cada vez mais ricos de amor, e isso me faz um espírito feliz.

17 Vou parar por aqui, de modo a não amedrontar os circunstantes com a minha vocação para as cartas longas, sem muito sentido em nossa reunião aqui, com o pessoal de responsabilidades sem conta e de tempo contado.
Querida Alda, por isso, em você e em nossa Lúcia, abraço ao Plínio e a todos os nossos que ficaram por fora da excursão.

18 Finalizo com os meus parabéns à Vânia e ao Professor Fred, amigos, por todas as realizações que estão conseguindo em benefício dos nossos irmãos privados da visão física.
O Vladimir está em nosso cortejo e abraça a Dona Elvira. Todos cumprimentamos a todos, sem esquecer a nossa irmã Eunice. 
n
19 Caio, você, por favor, confira o que escrevi ou estou escrevendo e corrija os trechos em que surja algum engano meu, porque nós, os Espíritos desencarnados, não somos infalíveis e nem somos obrigados a esnobar literatura em nossos escritos.
Agradeço ao Cineas e ao Montoro, tanto quanto aos outros companheiros de ação, pelo apoio que a nossa Instituição tem recebido.

20 E, com muito desejo de varar a noite, tal a extensão de nossos assuntos, mas com muito respeito aos amigos que pacientemente nos auxiliam, n no abraço maior à nossa querida Alda, reúne toda a família no mesmo carinho e na mesma gratidão, o esposo e pai, o companheiro e o amigo reconhecido de sempre,


Rolando


(25 de outubro de 1985)




COMENTÁRIOS


1) Uma de suas noras. Esposa de Mário Rolando, Maria Luiza descende do Dr. Bezerra de Menezes.
2) Realmente, a distração do Rolandão era a pequena locomotiva a vapor. Toda feita de cobre, é fixada a uma lâmina metálica de 30 cm de comprimento. O vapor da caldeira aciona o pistão, que movimenta uma roda que, por sua vez, substitui os vagões. As volutas de vapor da pequena locomotiva, movida a álcool isopropílico, o movimento do pistão e a roda girando faziam-no imaginar a composição inteira do trem. Recordava desse modo sua infância e juventude, quando, na estação ferroviária de Bauru, quedava-se a admirar os trens da [Estrada de Ferro] Noroeste do Brasil.
3) Os três filhos, à época, mudaram-se para Araraquara. Paulo e Lúcia retornaram, e Virgílio ainda lá reside.
4) Esposa de Paulo de Tarso, Lúcia foi responsável pelo Grupo de Gestantes, que lhe recebeu posteriormente o nome. O grupo há décadas atende a gestantes da região. Lúcia Magalhães Gomes Ramacciotti nos deixou em 1993, deixando indelevelmente, na esteira de sua viagem ao Mundo Maior, o rastro luminoso de sua nobre presença entre nós.
5) Maria Eunice Meirelles, grande amiga do Chico, já a seu lado na Vida Espiritual.
6) Rolando observa o mister de respeitar as outras pessoas presentes à reunião, também sedentas de uma mensagem, razão por que conclui sua carta.


Caio Ramacciotti

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Texto extraído da 1ª edição desse livro.